Empresas locais usam as franquias para expansão
Diario de Pernambuco - PE - 27/09/2009

A montagem de redes de franquia é um negócio em ebulição em Pernambuco. Cada vez mais empreendedores locais estão substituindo a estratégia de abrir pontos de comércio próprios pela alternativa de ceder o conhecimento e o direito de uso de sua marca a outros empresários. De acordo com os dados levantados pela HM Consultoria, especialista no setor, já são 45 as empresas franqueadoras no estado. Um número que deve crescer logo. Na opinião dos consultores, o mercado de franquia ainda tem condições de crescer a uma taxa de pelo menos 10% ao ano na região.

Os motivos principais que levam a empresa a adotar o franqueamento como estratégia para possibilitar sua expansão são a rapidez e os baixos custos. "É o canal mais prático para se estar no mercado. Hoje, toda empresa tem como obrigação crescer sempre, e com a franquia ela faz isso de forma mais rápida e com o menor investimento. As lojas próprias dão mais trabalho, precisam ficar nas mãos de gerentes, por exemplo", comenta Hamilton Marcondes, diretor da consultoria HM Varejo e Franchise.

Empresa pernambucana fundada em 1987, o grupo Pharmapele, de farmácias de manipulação, chegou a ter 12 unidades próprias nos anos 90. A decisão de franquear, em 2000, veio da impossibilidade de administrar-se todas ao mesmo tempo. "Naquele momento, ou cuidava de produzir ou de comercializar. As duas coisas seria bem difícil", avalia Luísa Saldanha, diretora e fundadora da empresa, que hoje distribui-se entre 50 lojas em 15 estados brasileiros, sendo 41 franqueadas. "Jamais teríamos tantas lojas com outro modelo de expansão", comenta Luísa, sobre um dos principais exemplos de êxito no franqueamento em Pernambuco.

Através da franquia, os donos da marca delegam a outros empreendedores a responsabilidade da implantação de novas unidades de um negócio comercial. Cedem o uso da marca e método de produção ou de venda de uma mercadoria específica, o chamado know-how. Em troca, recebem uma remuneração, conhecida como taxa de royalties, que pode variar, geralmente entre 3% e 7% do faturamento bruto. A esse valor, é acrescida uma cobrança menor, conhecida como taxa de propaganda.

Não há muito segredo para se decidir a hora de criar uma rede de franquia. "O primeiro conceito é que só se pode franquear um negócio de sucesso, que tenha boa gestão e um know-how de qualidade", destaca Marcondes. Ou seja: além da marca, o franqueador precisa ter uma técnica ou um método para oferecer ao franqueado. Se isso existe e o produto tem a aprovação do público, a franquia já tem meio caminho andado para dar certo.

Segundo Marcondes, o primeiro passo para isso é formatar o negócio para o franqueamento, criando contratos, documentos, manuais operacionais. E confrontar-se com questões básicas, como: o faturamento será suficiente para o franqueado pagar os royalties e ainda recuperar seu investimento? Nessa etapa, a recém-criada rede já começa a puxar alguns custos, que não são poucos. "A formatação não custa hoje menos de R$ 80 mil", comenta Leonardo Lamartine, diretor da rede de restaurantes Bonaparte. Ainda de acordo com ele, uma rede só se torna lucrativa depois de 15 lojas franqueadas. "Antes, é só investimento", diz, com conhecimento de causa.

Isso porque seu negócio é exemplo de franquia bem-sucedida em Pernambuco. Criada em 1999, a marca hoje está presente em 16 estados brasileiros, com 56 lojas, sendo apenas uma unidade própria. Depois de vencer a lógica do imperialismo regional e estabelecer-se no Sudeste brasileiro, a Bonaparte prepara-se para um novo desafio: conquistar o paladar do público no exterior. Os EUA serão o primeiro país a contar contar com uma unidade sua, ainda este ano. No início do próximo ano, mais duas já estão praticamente certas, em Angola e África do Sul.





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