Cada vez mais populares, as franquias são uma boa opção para quem pretende se tornar um empreendedor. A partir de R$ 10 mil já é possível abrir uma
Marina Falcão
mrfalcao@jc.com.br
O medo de ir à falência diante das dificuldades típicas dos primeiros três anos de funcionamento é o que quase sempre inibe a abertura do próprio negócio. Mas qual pequeno empreendedor não encheria os olhos diante da possibilidade de trabalhar com uma marca bem-sucedida e já conhecida pelos consumidores através do sistema de franquias? Este sonho está a cada dia mais palpável. Com investimentos entre R$ 10 mil e R$ 150 mil já possível se tornar um franqueado de marcas ascendentes e consolidadas. Isso porque o mercado de franquias experimenta uma tendência inédita de popularização em todo o Brasil.
Há quatro anos, a pedagoga Marília Correia Dias decidiu abrir o próprio negócio, se tornando franqueada da Kumon. A empresa, que oferece método de ensino especializado em português e matemática, é hoje a segunda maior franquia nacional com 1.555 unidades, segundo a Associação Brasileira de Franquias (ABF). Perde apenas para O Boticário. “Ter o próprio negócio é algo muito estimulante. Não me vejo abandonando ele por nada”, revela Marília, que comanda uma Kumon em Parnamirim, atualmente com 30 alunos. O investimento total (sem o espaço) para ser franqueado da Kumon é de a partir de R$ 8 mil, referente à taxa de instalação, mais R$ 1.420 da taxa de franquia. O retorno vem entre 18 e 36 meses.
Já a empresária Gerana Costa tornou-se em 2008 franqueada da Empada Carioca, que existe há sete anos e conta hoje com 70 lojas no País. Ela explica que o investimento inicial, sem o espaço, varia entre R$ 65 mil e R$ 110 mil, dependendo do porte da loja, que deve ter mínimo de 20 metros quadrados, ou dos quiosques, a partir de 8 metros quadrados. “O bom de trabalhar com franquia é a garantia da qualidade dos produtos e a facilidade na operação”, avalia ela, dona de duas unidades instaladas no Centro do Recife. O lucro líquido oferecido pela marca corresponde a 25% do faturamento bruto, que varia entre R$ 25 mil e R$ 40 mil mensais.
Em 2007, a psicóloga Mônica Alfaia assumiu quiosque da portuguesa Delta Expresso no Plaza Shopping. O investimento (sem locação do espaço) foi de cerca de R$ 100 mil. Mensalmente, ela paga à marca uma taxa fixa de 5% em cima do faturamento. “O importante para quem quer assumir um negócio como esse é fazer uma pesquisa prévia sobre a qualidade do produto, a demanda do mercado e a opinião das pessoas em relação a marca. As redes já oferecem toda assistência em gestão e treinamento de funcionários para o franqueado”.
Estratégia para uns, boa chance para outros
Para o empresário que lança a marca, abrir franquias é uma grande arma para expandir os negócios. Os franqueados, por sua vez, se tornam empreendedores, geram emprego e podem crescer
O crescente aparecimento de opções de franquia abaixo dos R$ 150 mil nos últimos anos se deve a um fenômeno de amadurecimento experimentado no varejo popular. Qualquer marca de pequeno porte hoje já tem a percepção de que se tornar uma franquia é a estratégia mais eficiente para expandir de maneira mais rápida e não sucumbir diante da concorrência.
A paulistana Rei do Mate, de chá gelado, salgados e cafeteria, data da década de 70, mas foi somente quando a empresa tornou-se uma franquia que experimentou um ritmo acelerado de expansão. Conforme conta a diretora de expansão da rede, Adriana Lima, somente em 2009 foram inauguradas 27 lojas espalhadas pelo Brasil. No Recife, a primeira foi aberta em 2005. O investimento inicial para que quer abrir uma loja é a partir de R$ 130 mil. A contar da assinatura do contrato, uma loja fica pronta em cerca de 90 dias. A média de faturamento de uma unidade, cuja dimensão vai de 25 a 40 metros quadrados e emprega entre seis e oito funcionários, vai de R$ 35 mil a R$ 50 mil. Em geral, o retorno do investimento inicial é obtido entre 24 e 36 meses. “Para tanto, oferecemos desde treinamento operacional em vendas e em nutrição para o franqueado até o apoio na seleção dos funcionários”, explica. A rede conta hoje com 276 unidades no País.
Há 15 anos no mercado, a Eurodata, empresa de Guarulhos (SP) especializada em serviços de qualificação profissional, lançou recentemente dois formatos de franquias mais populares: o Eurodata Interativa e a Extreme. O primeiro, focado em capacitação para áreas de tecnologia, comércio e finanças exige investimento inicial a partir de R$ 40 mil e é indicado para cidades ou bairros com menos de 100 mil habitantes. Já o segundo, focado em cursos de inglês intensivos para as classes C e D, custa a partir de R$ 50 mil a unidade. “O mercado de capacitação é muito bom, especialmente no Nordeste”, conta Romério Lima Souza, diretor de expansão da Eurodata.
Até 3% é o índice de empreendimentos em franquia que fecham durante os primeiros anos de funcionamento. Devido ao intenso suporte nos momentos de crise, o percentual chega a ser quase nulo em algumas redes.
Em termos de remuneração, entre cinco e sete vezes a rentabilidade oferecida mensalmente pela poupança é a média de lucro obtida por empresário que opta investir em uma pequena franquia, ou seja, de até R$ 150 mil. (M.F)
Igual a um casamento
Relação entre franqueador e franqueado tem de ser baseada na confiança e na troca de experiências. Cada um deve cumprir sua parte no contrato. Este é o primeiro passo para a empresa ter sucesso
Um mínimo de 70% de todo o montante a ser investido é o que o empreendedor deve dispor no bolso antes de abrir uma franquia de até R$ 150 mil. “Quanto menor o valor a ser financiado com bancos conveniados, mais segura a operação”, explica consultor Hamilton D. Marcondes, da H. M Varejo e Franchising. Ele explica que a relação entre franqueado é franqueador é como um casamento, só que baseado na troca de know-how.
“Enquanto o investidor deve ter em mente que precisará aceitar as regras e os padrões da marca, esta por sua vez oferece periódicos treinamentos e suporte técnico”. Ele acrescenta que o ideal é que o investidor esteja a frente do negócio no seu dia a dia. “Como nas pequenas franquias o faturamento não é muito alto, é preciso evitar custos extras colocando um funcionário como gerente da unidade”.
O valor final do investimento depende do ponto comercial que o franqueado escolher. “Para marcas de até R$ 150 mil, por exemplo, a instalação em shoppings centers é praticamente inviável”.
Para aprovar o local indicado pelo franqueado, as empresas levam em consideração o fluxo de pessoas, a densidade demográfica e a concorrência na área. “Uma mesma franquia varia de preço de acordo com as condições da área escolhida pelo fraqueado para as instalações. Se o local precisar de muitas reformas, o preço subirá”.
O franqueado deve ainda saber que, além do pagamento inicial referente à instalação e a taxa de franquia, deverá pagar royalties mensais às marcas. Os percentuais variam entre 5% e 8% do faturamento ramo de alimentação. Já no segmento de vestuário e calçados, o valor é de 12% sobre as vendas. (M.F)
|